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Historial

O topónimo “Zebreira” alude a terra onde há zebros: sendo “zebro” um derivado do latim vulgar “equiferus”, cavalo selvagem ibérico, hoje extinto e que não deve ser confundido com a actual zebra, de origem africana.

Julga-se que na povoação da actual Zebreira terá existido desde muito cedo a presença humana, pelo menos desde o repovoamento egitaniense do século IX para o X e que nunca se extinguiu de todo, o que de certo modo atesta a conservação do topónimo “Zebreira”.

O seu repovoamento teve início no século XII, sob o domínio dos Templários em Idanha e Rosmaninhal; mas a este respeito, a tradição conserva um parecer local do histórico templário, escrito pelo Abade de Miragaia, que narra a fundação do território, denominado na época de “Zebros”, o que revela o estado do território como um bravio e selvático habitáculo desta espécie animal. Começa o abade por contar que os habitantes de Idanha-a-Nova, atraídos pela beleza e fertilidade daquele território, trataram de o lavrar, cultivando oliveiras, videiras e uma espantosa produção de azinheiras. Como o local ainda ficava distante de Idanha, também por ali construíram algumas cabanas para se abrigarem das intempéries e recolherem o seu gado, os seus géneros e utensílios da lavoura. Com o tempo, a referida colónia aumentou, as cabanas passaram a casas e assim se formou um povoado que do primitivo nome de Zebros se denominou Zebreira.

Como sucedeu com o princípio do povoamento, também não existe documentação acerca da instituição paroquial, contudo é de crer que a paróquia de Santa Maria da Zebreira tivesse sido instituída a meados do séc. XIII, por iniciativa da Ordem dos Templários. O Abade de Miragaia informa ainda que esta paróquia abrangia a grande Herdade do Soudo e os montes de Toulões e de Vale de Cardas.

Em 1510, D. Manuel I em manifesto reconhecimento do progresso de Idanha-a-Nova, concedeu-lhe Foral Novo a 1 de Junho, tendo deste beneficiado a povoação de Zebreira.

Zebreira foi um concelho de origem obscura, extinto em 1834, pelo que passou a pertencer ao concelho de Salvaterra do Extremo até 24 de Outubro de 1855, ano em que foi dissolvido.

Por várias vezes é feita menção de Zebreira como uma antiga e “extinta vila”; tendo sido na verdade uma vila e concelho de origem obscura; no entanto, não podemos ignorar que Zebreira ainda é vila, por ter mantido esse estatuto desde a antiguidade ou por posterior elevação.

Em relação a invasões houve três situações que melhor gravadas ficaram na história de Zebreira

A invasão de Portugal pelos espanhóis em 1704

Ao morrer Carlos II, rei de Espanha (1700), sem descendentes directos, aparecem como pretendentes ao trono, por um lado Luís XIV, rei de França, em nome de seu neto e presumido herdeiro, Filipe, Duque de Anjou, a que o monarca espanhol o legara por testamento, e por outro lado o Imperador da Alemanha, Leopoldo I, que o pretendia para seu o segundo filho, o Arquiduque Carlos da Áustria, mais tarde o Imperador Carlos VI da Alemanha.

Resultou destas pretensões a guerra da sucessão de Espanha, em que se envolveram vários estados.

Ao lado do Imperador colocaram-se a Inglaterra, a Suécia, a Dinamarca e a Holanda, desejosas de verem diminuído o poderio Francês; a Espanha e a Baviera uniram-se à França. Portugal, com D. Pedro II, apoiou ao princípio o Duque de Anjou, aclamado depois Rei de Espanha com nome de Filipe V. Porém, como velho aliado da Inglaterra, rapidamente assumiu o partido do Arquiduque Carlos.

Em virtude dessa atitude, Portugal foi invadido pelas tropas franco-espanholas sob o comando do Marechal de França, Duque de Berwick nos princípios de Maio de 1704, sendo ocupadas sucessivamente Salvaterra do Extremo, Segura, Zebreira, Monsanto, Idanha-a-Nova e Castelo Branco.

Pretendendo avançar sobre Abrantes, mas não conseguindo atravessar as Talhadas, passou o Tejo em Vila Velha do Ródão e foi ocupar Montalvão, Marvão, e Portalegre, com o objectivo de assegurara marcha pela margem esquerda do Tejo. Faz a junção com outras tropas suas amigas que tinham invadido esta província portuguesa e ainda lá se encontravam.

Então, segundo Carlos Selvagem, de entre os generais portugueses começou a despontar um verdadeiro cabo de guerra – o Marquês das Minas, que governava a província da Beira e que reforçado por tropas do Minho e Trás-os-Montes, marcha de Almeida sobre o Tejo, bate e corta o corpo do exército espanhol que ocupava a Beira Baixa e recupera sucessivamente Segura, Idanha, Zebreira, Ladoeiro, Castelo Branco, Ródão, etc. Isto passa-se um ano depois, em 1705.

No Alentejo, o Conde das Galveias invade a fronteira e apodera-se de algumas povoações. Em 1706, reorganizado o nosso exército o inimigo é repelido de tal forma que os nossos soldados, sob o comando do Marquês das Minas, após vitórias sucessivas, avançam com glória até Madrid, onde é aclamado o Arquiduque Carlos com o nome de Carlos III. Estas guerras só terminaram no reinado de D. João V, com o tratado de Utreque em 1715, havendo porém sido assinado em 1712 um armistício entre as duas nações

A campanha de 1762

Esta campanha ficou conhecida na história por Guerra dos Sete Anos, derivada da rivalidade, que se tornou grave, entre a França e a Inglaterra.

A Inglaterra tinha a Prússia como aliada, enquanto a França tinha a Áustria, sua velha rival e a Rússia.

Em 1761, Luís XI, Rei de França, querendo evitar a derrota definitiva, propôs o pacto da família Bourbon (França, Espanha, Nápoles e Portugal).

A Espanha assinou o pacto e entrou na luta pelo que os ingleses invadiram as suas colónias, mas Portugal, velho aliado da Inglaterra, recusou a assinatura desse pacto, facto que levou a França e a Espanha a declararem-nos guerra, invadindo Portugal por Trás-os-Montes e pela Beira. No norte, destacamentos espanhóis tomaram e ocuparam Chaves. Na Beira, o Marquês de Sárria, general espanhol, entrou em Junho de 1762 por esta fronteira, ocupando sem resistência Castelo Rodrigo e Almeida e avançando sobre Celourico da Beira que facilmente capitulou.

O Marquês de Pombal tratara de reorganizar o exército, recebendo reforços da Inglaterra e chamara para comandar e dirigir superiormente o Conde de Lippe, general alemão de grande saber militar e um dos maiores da casta prussiana. Desembarcou em Lisboa em 1762 onde foi nomeado marechal do exército. Trazia consigo oficiais de valor, entre os quais, o príncipe Carlos Luís Frederico, Duque de Macklemburgo, irmão da rainha de Inglaterra e marechal do exercito português e coronel dum regimento de cavalaria. Chegados a Portugal, o Conde de Lippe e os oficiais que o acompanhavam, com os
generais portugueses preparavam-se para a guerra.

Em fim de Agosto, o general Sárria foi substituído pelo Conde de Aranda no comando do exército franco-espanhol. Em vez de prosseguir o avanço sobre Lisboa, desceu pela Beira, entre Sabugal e Penamacor, atacando as praças de Salvaterra do Extremo e Segura, que se rendem por falta de efectivos, deixando aberto o caminho de Alcântara e Castelo Branco. Na posse de Castelo Branco o inimigo podia atravessar o Tejo em Vila Velha de Ródão e ir operar no Alentejo ou atravessar as Talhadas para atingir Abrantes ou Tomar. Porém, o exército invasor, após vários recontros com as tropas de Lippe, retira para Espanha por Zebreira, Segura, em direcção a Alcântara, conservando as praças de Salvaterra do Extremo e Segura.

Em Setembro o inimigo encontra-se novamente em Castelo Branco, disposto a marchar sobre Lisboa. Mais uma vez, o Conde de Lippe obriga-o a retirar para Espanha, desta feita em duas direcções: por Zebreira, Segura e Alcântara e por Malpica a Herrera e Valência de Alcântara.

Estabeleceu-se o armistício em 1 de Dezembro de 1762. A Rússia propõem o fim das hostilidades que é confirmado em 1763 pelo Tratado de Paris ajustando-se a paz definitiva entre a França e a Espanha de um lado, e a Inglaterra e Portugal do outro, tendo Portugal readquirido o que lhe havia sido conquistado

Invasão Napoleónica

Governava Portugal, como regente, o príncipe D. João VI, porque sua mãe, a rainha D. Maria I, havia enlouquecido em 1792, quando em 1807 nos vimos invadidos pelo exercito francês de Junot a que se tinha juntado tropas espanholas do comando do general Carafa.

Esta invasão foi motivada por Portugal não querer aderir ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão aos países europeus, que consistia em fechar os portos aos navios ingleses. Como Portugal não cumpriu as ordens de Napoleão por ser velho aliado da Inglaterra, foi invadido pelos franceses depois de ter sido assinado o Tratado de Fontainebleu que repartia o nosso país entre a França e Espanha.

O exército inimigo entrou pela Beira em 19 de Novembro de 1807, tendo saqueado Segura, Salvaterra do Extremo, Zebreira, Idanha-a-Nova, Rosmaninhal e Castelo Branco. Daqui seguiu para Abrantes, onde entro no dia 29 e no dia seguinte Junot chegava a Lisboa apenas com 1500 dos 26000 homens que constituíam o seu exército.

Os soldados franceses, cansados e esfomeados das longas marchas que eram obrigados a fazer, praticaram em Portugal os vários actos de vandalismo, apesar de Junot ter dado como penhor ao povo português, pelo comportamento do seu exército, a sua palavra de honra.

Os excessos dos invasores continuaram, o que deu origem às revoltas contra o domínio estrangeiro e às guerrilhas que os perseguiram.

Por fim, auxiliados pelos ingleses, vencemos as tropas francesas nas batalhas de Roliça e Vimeiro, a 17 e 21 de Agosto de 1808.

Pela convenção de Sintra, assinada 9 dias depois, os franceses abandonaram Portugal, terminando assim a primeira invasão francesa.

Em 1809, a 27 de Junho, na altura da segunda invasão francesa, saiu Wellesley de Abrantes, em direcção â Placência, para Castelo Branco, em duas colunas, pelas duas margens do Tejo, seguindo uma por Proença-a-Nova e Sobreira Formosa e outra pela margem esquerda do Tejo, passando na ponte das baroas de Vila Velha de Ródão. De Castelo Branco as forças partiram numa só coluna por Ladoeiro, Zebreira, Zarza Maior, Coria, Placência, onde chegaram a 8 de Julho.

A 27 e 28 deste mês travava-se a batalha deTalavera de la Reina, conseguindo Wellesley repelir os ataques adversos. Ameaçado, porém, pela retaguarda, pelas forças reorganizadas inimigas que tinham, no seu movimento de Norte para Sul, atravessado os colos da Serra de Gredos, retira para a margem esquerda do Tejo pelas pontes del Arzobispo e de Almoroz para, em seguida, se acolher de novo em Portugal, onde entra por Badajoz e Elvas.

 
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