A Zebreira Antiga PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

A Zebreira Antiga

As construções eram em geral de granito e cantaria, mais ou menos ricas e mais ou menos altas, raramente atingindo o segundo andar, reflectem a vida dos seus moradores. Naturalmente o primeiro núcleo de habitações da freguesia foi o da parte mais elevada, a do Castelo, por ser o sítio mais defensável e de acesso mais difícil. Outros núcleos habitacionais se seguiram como o Lugar de Baixo onde se encontra a Capela do Espírito Santo que foi a primeira Igreja, o Adro onde se situa a Igreja Matriz, a Praça com o pelourinho e a Antiga Casa da Câmara e os Bairros mais recentes da Nave, S. Sebastião, Malhadinha, Devesa e Valecabeiro (É curioso notar que quase todos os bairros têm uma capela. Assim, na Devesa a Capela da Nossa Senhora da Piedade, no Lugar de Baixo a do Espírito Santo, na Nave a de S. Sebastião, no Castelo a de S. Pedro, além do Adro com a Igreja Matriz da invocação de Nossa Senhora da Conceição). Todas as habitações eram essencialmente a servir as actividades agrícolas, pois a maioria da população vivia para e da agricultura, dando assim aos moradores facilidades para o cultivo e exploração da terra e a protecção da riqueza pecuária, as casas obedeciam mais ao utilitário que ao luxuoso.

Os habitantes empenhavam-se desde sempre entre a paz e a harmonia do seu viver, na labuta da terra, na guarda e criação dos gados e arranjo das suas casas. Eram encontradas, segundo a posição social de cada um, casas maiores e com mais comodidades, as dos lavradores ou proprietários remediados, havendo superiores a estas apenas cinco ou seis de grandes lavradores e abastados proprietários e casas de jornaleiros e criados.

As casas dos lavradores e proprietários remediados recebiam luz e ventilação pelas janelas, normalmente quadradas. As próprias portas de entrada tinham por vezes postigo que se abriam na parte superior e que serve, como as janelas para iluminar e ventilar as habitações. Nas mesmas casas as janelas têm vidraças que se deixam atravessar pela luz protegendo contra o frio e o calor, além deportas de madeira.

Em muitas casas as janelas eram ladeadas com pequenos poiais de pedra embutidos nas paredes, para exposição de vasos com cravos, manjericos, cravinetas, etc. Porque a cal era de tal maneira cara e não sendo das posses de todas as gentes nem todas as casas eram caiadas, mas mesmo nessas casas as vergas das portas e janelas eram sempre caiadas.

A cobertura das casas era feita com telhas de canudo ou mouriscas e mais modernamente em algumas com telhas de marselha. As chaminés eram raras e para fazer as vezes destas, encostavam algumas telhas ao alto no telhado da cozinha sobre o sítio onde acendiam o lume, o que permitia o escoamento do fumo e evitar a entrada de água das chuvas. Os telhados geralmente pouco inclinados, prolongavam-se às vezes para as traseiras das casas para cobrirem varandas e terraços ou dependências. Eram colocadas algumas pedras nas telhas do cume e dos beirais não assentes em cal para não serem arrastadas pelo vento.

O espaço entre o forro e o telhado chama-se forro e é correntemente utilizado como arrecadação. O número de divisões varia entre três, quatro, seis e sete divisões. Em geral existia um compartimento de entrada (sótão), sala por cima deste, cozinha em ligação com o quintal, quando o havia, e quartos e adegas sem janelas.

As divisões são limitadas por taipa de paus e ripas cheias de barro amassado com palha de trigo traçada. Algumas vezes eram forradas com os caibros à vista e outras, não tendo forro, são à "telhavã". Na sala, quase sempre com uma janela, eram recebidas as visitas, costurava-se, e serviam-se as refeições quando havia hóspedes ou em dias de festas.

Por detrás do lume, na cozinha ficava a pelheira para depósito de cinza proveniente do lume. Os quintais costumavam ter furda para a criação de porcos e poleiro para galinhas. Na adega guardavam o azeite, azeitonas e carne (de porco) de conserva, geralmente em sal.

Para arrecadação das sementes e batatas tinham tulhas próprias ou então ficavam no piso do forro.

As casas dos jornaleiros ou criados constituíam o tipo de casa pobre. Constam de rés do chão com uma porta e uma janela ou simplesmente uma porta de piso térreo, lajeadas com placas de xisto ou sombreadas, tinham às vezes, uma só divisão e raramente mais de três compartimentos. Nestas condições, uma divisão é destinada ao quarto do casal, outra â cozinha e outra divisão maior à vida da família. Quando havia cereais ou batatas são recolhidas no quarto de baixo da cama. Estas casas recebiam luz pela janela (se a possuía), pela porta de entrada ou pelo postigo e pelos interstícios das telhas. Raramente eram forradas ficando sempre a cozinha à "telha vã", para deixar sair o fumo.

Mobiliário

Nas habitações dos lavradores, os móveis correntes eram:

- Na sala de entrada: as arcas ou baús, as malas para a roupa branca e cobertores, acantareira onde se conservam e expõem a louça, os metais, os cântaros e os asados comagua de beber, colocados nas "pias das talhas ", o relógio, a máquina de costura, estampas de Santos, algumas cadeiras e uma mesa.

-Na cozinha: onde muitos comiam as refeições, existiam os trapeços (bancos de cortiça), tripeças (bancos com três pernas) e ainda os bancos vulgares de duas pernas espalmadas e cadeiras rústicas por vezes. No alto da cozinha, por cima do lume ficam as varas que com a respectiva armação serviam para secar o "fumeiro" (enchido) do porco. Por baixo da referida armação a que também se ouve chamar fumeiro existia uma estaca forte, espetada na parede para suportaras cadeias (de ferro) de que pendem as caldeiras e as panelas de ferro com asa para cozinhar e aquecer água. O trem de cozinha consta de panelas, tachos e serias. Existia sempre uma tenaz para atiçar o lume e tirar as brasas para o ferro de engomar, um espeto de ferro que igualmente atiça o lume e servia para os assados, uma trempe para assento das sertãs e tachos, o saleiro, a almotolia para o azeite e uma garrafa ou botija para o vinagre.

Na adega há potes de lata para o azeite, potes de barro para as azeitonas e "chambaril" para dependurar o porco e a salgadeira para guardar o toucinho e a carne.

As camas dos quartos tinham bancos de madeira com tábuas sobrepostas com uma enxerga cheia de palha centeia. A maioria das camas tinha a armação em ferro. Ao lado das camas estavam as bancas (mesas) de cabeceira.

Nas habitações havia um berço de madeira ou de verga de castanho ou salgueiro, dobadoiras, vassouras, uma masseira para amassar o pão, tabuleiros para levar ao forno, peneiras, almofariz, joeiras, etc, além de várias ferramentas e instrumentos de trabalho.

Iluminação

Era feita com as candeias de azeite e candeeiros de petróleo. As candeias de folha eram dependuradas pelo gancho de arame nas cadeias ou num prego da parede da cozinha.

Nas candeias o azeite corre dos depósitos para o bico levado pelas torcidas de algodão. O azeite é ainda hoje utilizado nas casas e nas capelas e igreja para iluminar os Santos e para esse efeito se empregam lamparinas ou lâmpadas providas de bóias de lata e cortiça.

Para o dia de finados a fim de alumiarem as campas dos mortos de família, para levar de noite alumiando as ruas no regresso de serão e para entramos palheiros a tratar do gado, usavam-se lanternas de azeite com quatro vidros e um depósito interior provido de torcida. Em grande uso estavam também os lampiões, lanternas a petróleo com uma chaminé redonda e com asa.

Nos dias de procissão nomeadamente nas de Quinta e Sexta Feira Santa, todas as famílias ponham no parapeito das janelas e nas varandas, candeeiros e candeias de azeite ou petróleo.

Nas habitações modestas de uma só divisão, a luz que as alumiava era a da candeia e às vezes só a do lume da lareira.

As construções eram em geral de granito e cantaria, mais ou menos ricas e mais ou menos altas, raramente atingindo o segundo andar, reflectem a vida dos seus moradores. Naturalmente o primeiro núcleo de habitações da freguesia foi o da parte mais elevada, a do Castelo, por ser o sítio mais defensável e de acesso mais difícil. Outros núcleos habitacionais se seguiram como o Lugar de Baixo onde se encontra a Capela do Espírito Santo que foi a primeira Igreja, o Adro onde se situa a Igreja Matriz, a Praça com o pelourinho e a Antiga Casa da Câmara e os Bairros mais recentes da Nave, S. Sebastião, Malhadinha, Devesa e Valecabeiro (É curioso notar que quase todos os bairros têm uma capela. Assim, na Devesa a Capela da Nossa Senhora da Piedade, no Lugar de Baixo a do Espírito Santo, na Nave a de S. Sebastião, no Castelo a de S. Pedro, além do Adro com a Igreja Matriz da invocação de Nossa Senhora da Conceição). Todas as habitações eram essencialmente a servir as actividades agrícolas, pois a maioria da população vivia para e da agricultura, dando assim aos moradores facilidades para o cultivo e exploração da terra e a protecção da riqueza pecuária, as casas obedeciam mais ao utilitário que ao luxuoso.

Os habitantes empenhavam-se desde sempre entre a paz e a harmonia do seu viver, na labuta da terra, na guarda e criação dos gados e arranjo das suas casas. Eram encontradas, segundo a posição social de cada um, casas maiores e com mais comodidades, as dos lavradores ou proprietários remediados, havendo superiores a estas apenas cinco ou seis de grandes lavradores e abastados proprietários e casas de jornaleiros e criados.

As casas dos lavradores e proprietários remediados recebiam luz e ventilação pelas janelas, normalmente quadradas. As próprias portas de entrada tinham por vezes postigo que se abriam na parte superior e que serve, como as janelas para iluminar e ventilar as habitações. Nas mesmas casas as janelas têm vidraças que se deixam atravessar pela luz protegendo contra o frio e o calor, além deportas de madeira.

Em muitas casas as janelas eram ladeadas com pequenos poiais de pedra embutidos nas paredes, para exposição de vasos com cravos, manjericos, cravinetas, etc. Porque a cal era de tal maneira cara e não sendo das posses de todas as gentes nem todas as casas eram caiadas, mas mesmo nessas casas as vergas das portas e janelas eram sempre caiadas.

A cobertura das casas era feita com telhas de canudo ou mouriscas e mais modernamente em algumas com telhas de marselha.

As chaminés eram raras e para fazer as vezes destas, encostavam algumas telhas ao alto no telhado da cozinha sobre o sítio onde acendiam o lume, o que permitia o escoamento do fumo e evitar a entrada de água das chuvas.

Os telhados geralmente pouco inclinados, prolongavam-se às vezes para as traseiras das casas para cobrirem varandas e terraços ou dependências.

Eram colocadas algumas pedras nas telhas do cume e dos beirais não assentes em cal para não serem arrastadas pelo vento.

O espaço entre o forro e o telhado chama-se forro e é correntemente utilizado como arrecadação. O número de divisões varia entre três, quatro, seis e sete divisões. Em geral existia um compartimento de entrada (sótão), sala por cima deste, cozinha em ligação com o quintal, quando o havia, e quartos e adegas sem janelas.

As divisões são limitadas por taipa de paus e ripas cheias de barro amassado com palha de trigo traçada.

Algumas vezes eram forradas com os caibros à vista e outras, não tendo forro, são à "telhavã".

Na sala, quase sempre com uma janela, eram recebidas as visitas, costurava-se, e serviam-se as refeições quando havia hóspedes ou em dias de festas.

Por detrás do lume, na cozinha ficava a pelheira para depósito de cinza proveniente do lume.

Os quintais costumavam ter furda para a criação de porcos e poleiro para galinhas.

Na adega guardavam o azeite, azeitonas e carne (de porco) de conserva, geralmente em sal.

Para arrecadação das sementes e batatas tinham tulhas próprias ou então ficavam no piso do forro.

As casas dos jornaleiros ou criados constituíam o tipo de casa pobre.

Constam de rés do chão com uma porta e uma janela ou simplesmente uma porta de piso

térreo, lajeadas com placas de xisto ou sombreadas, tinham às vezes, uma só divisão e

raramente mais de três compartimentos. Nestas condições, uma divisão é destinada ao

quarto do casal, outra â cozinha e outra divisão maior à vida da família.

Ouando havia cereais ou batatas são recolhidas no quarto de baixo da cama. Estas casas

recebiam luz pela janela (se a possuía), pela porta de entrada ou pelo postigo e pelos

interstícios das telhas.

Raramente eram forradas ficando sempre a cozinha à "telha vã", para deixar sair o fumo.

 
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