Contos e Lendas PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Lenda de São Domingos

Numa pequena elevação, entre a Zebreira e Rosmaninhal, existiu outrora uma capela dedicada a são Domingos, advogado contra as doenças. O santo pertencia ao Rosmaninhal e a capela à Zebreira.

Os moradores das duas povoações acorriam todos os anos, em fraternal convívio, a festejar o santo, na Terça-feira imediata ao Domingo de Páscoa.

Uns e outros faziam-se acompanhar das confrarias do Espírito Santo com as suas insígnias e bandeiras, e todos levavam, como oferta tradicionalmente tida como da predilecção de São Domingos, telhas roubadas dos telhados vizinhos. Os do Rosmaninhal chegavam primeiro, subiam até junto da capela, e ali aguardavam que os da Zebreira surgissem no vale do lado oposto e levantassem a sua bandeira, sinal convencionado para irem ao seu encontro. Os habitantes do Rosmaninhal desciam o monte, para cumprimentarem os seus vizinhos, e os juízes das duas confrarias ofereciam-se mutuamente rapé da caixa que cada um levava.

Seguidamente todos, com suas confrarias e bandeiras (os da Zebreira à frente), formavam o cortejo que se dirigia para a capela a celebrar, com pompa, a festa tradicional. Pela tarde, cada um dos povos tomava o caminho da sua aldeia. Os habitantes da Zebreira, ao chegar ao sítio dominado dos Vilares, estendiam os seus farnéis ou merendas em volta de uma fonte que ali existe, e por lá passavam o resto do dia.

Como também havia pobres que não tinham farnel ou merenda, a Junta de Freguesia mandava todos os anos àquele sítio, uma carga de vinho e de pão, para serem distribuídos por eles.

Mas um dia em 1891, os povos, mal orientados, desentenderam-se. Os do Rosmaninhal queriam que a sua bandeira tivesse a primazia no cortejo e os da Zebreira, com o fundamento na tradição, queriam que a sua fosse â frente. Foi devido a este facto, que a festa acabou.

A imagem como era do Rosmaninhal, foi levada para a Igreja Matriz, e a capela que era da Zebreira, sem patrono e sem festa, foi-se a pouco e pouco desmantelando, restando hoje só ruínas.

Mas o povo da Zebreira não perdera a sua fé em São Domingos e não encontrara melhor alívio para as suas febres. Por isso, passados trinta após, construiu uma nova capela no sítio do Carvalhão, e ainda hoje continua a realizar a festa anual, no Domingo seguinte da Páscoa e onde continuam a levar as telhas roubadas, dos telhados dos vizinhos, para que o Santo os livre das doenças.

Conto da Arte

Um homem e uma mulher tinham um filho, e o pai mandou-o estudar. Passado alguns anos, o pai que já não via o seu filho há alguns anos, mandou-lhe perguntar se já estava pronto dos seus estudos, para o poder ir buscar.

O seu filho mandou-lhe dizer que já estava pronto, mas que talvez não o conhecessem, que saiam feitos nuns corvos e que ele havia de ir no meio deles - Meu Mestre há-de julgar que não me conhece, mas eu hei-de ir no meio e quando chegar ao pé de si, hei-de-lhe arrastar a asa, e há-de dizer ao meu mestre, que este é o meu filho.

O Mestre ficou admirado com o pai, por ter reconhecido o filho. Andando pelo caminho, pai e filho, encontraram dois cavaleiros, e o filho disse para o pai:

- Olhe, eu faço-me num galgo e venda-me, mas não venda a coleira. Começou a caçar.

Levantou-se uma lebre e ele agarrou-a.

Os cavaleiros quando viram a pureza do galgo, perguntaram ao homem se o vendia. O homem disse-lhes que não o vendia, que era muito bom, e que só ele o governava. Os cavaleiros ficaram muito impressionados com o galgo, e insistiram.

- Diga, peça-nos o dinheiro que quiser e venda-nos o galgo. O homem resolveu-se e disse:

- Vendo-lhe o galgo, mas não lhe vendo a coleira.

O homem partiu para sua casa, e quando os cavaleiros chegaram mais à frente, levantou-se uma lebre. O galgo correu atrás dela mas quando chegou atrás de um cabeço, onde ninguém o via, fez-se num homem e pôs-se a arrancar mato.

Os cavaleiros correram atrás do galgo e encontraram o homem que estava a arrancar mato. Perguntaram-lhe se tinha visto passar algum galgo. Ele respondeu que sim, que ia acorrer atrás de uma lebre - vai aí para trás daquele cabeço.

Os cavaleiros foram ver se encontravam o galgo. O rapaz foi-se embora para a casa dos pais. Passado alguns dias, houve uma feira, e o rapaz disse para o pai: - Olhe, eu faço-me num cavalo. Leve-me à feira e venda-me, mas não venda o freio.

O pai quando chegou à feira com um cavalo tão bonito, todas as pessoas o queriam comprar, mas seu mestre conheceu-o e perguntou ao pai quanto queria pelo cavalo. Todo o dinheiro que o pai lhe pediu, o mestre deu-lho, mas não lhe disse que não lhe vendia o freio. Tinha-se esquecido.

Quando o Mestre agarrou o cavalo e o seu pai lhe ia tirar o freio, o Mestre disse que tinha comprado tudo. O pai começou a chorar, para que o Mestre não levasse o freio, mas ele não lhe ligou e saltou para cima do cavalo. Correu tanto que o cansou e prendeu-o ao pé de um chafariz.

Foram dois homens dar de beber a uns burros, e como viram o cavalo a puxar para a água, os homens tiveram pena do animal, soltaram-no e levaram-no ao chafariz, mas ele não podia beber água com o freio. Depois de lhe tirarem o freio, o cavalo saltou para a água e transformou-se em rã.

Quando o Mestre chegou e viu o cavalo a transformar-se em rã, ele transformou-se em cobra para a apanhar.

A rã transformou-se em pomba, e a cobra em gavião, para apanhar a pomba. A pomba viu-se atacada, e transformou-se em anel, que caiu no colo da filha do Rei e disse-lhe: - Quando te vierem pedir o anel, não o dês e deita-o para o chão.

O gavião fez-se em doutor e foi pedir o anel à filha do rei, que tinha o seu pai doente. O doutor disse-lhe que lhe desse o anel, e que lhe curava o seu pai. A rapariga disse-lhe que pedisse tudo o que ele quisesse, menos o anel que não o dava. O doutor respondeu-lhe que não queria nada, sem ser o anel.

Ela com vontade de ver o pai bom disse-lhe que o dava, mas que o apanhasse do chão, e mandou-o para o chão.

O anel transformou-se em grãos de milho miúdo, e o doutor fez-se em galinha com pintainhos para comer o milho, e o milho fez-se em raposa que comeu a galinha e os pintainhos.

 
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